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(GOIÁS AGORA) - Notícias do Estado de Goiás
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 - 15/10/2007 - 10:32:45

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Por que Goiás é referência quando se fala de ressocialização?

Edemundo Dias - Todos os Estados hoje estão em crise na área da segurança pública do sistema prisional: superlotação, falta de estrutura e dificuldades de toda ordem. Em Goiás, nós estamos tentando superar essas dificuldades com alguns programas de ressocialização. O que estamos fazendo aqui é cumprindo o outro lado da Lei de Execuções Penais. O Estado quer dar a  este indivíduo que cometeu um delito alguma alternativa de retorno à sociedade, sem que ele volte a delinqüir. E isso só se faz com projetos sociais, através de educação, do trabalho, da cultura, do lazer e da religião. Este é o nosso diferencial.

Como foi o início do Cio da Terra?

Edemundo Dias - Começamos plantando nas áreas cultiváveis na Colônia Agrícola do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Precisávamos comprar alimento, como mandioca, por exemplo, e tínhamos uma área que poderia ser cultivada usando a mão-de-obra do próprio reeducando. Goiás tem um perfil agrícola e grande parte dos reeducandos também. Assim começou o Cio da Terra. No primeiro ano, colhemos 500 toneladas de grãos, fora uma variedade grande de verduras. Implementamos também a  criação de gado e suíno dentro do Complexo de Aparecida de Goiânia.

E como está este projeto hoje?

Edemundo Dias - Hoje este projeto já se espalhou por todo o Estado. Para esta quinta edição, estão previstas 1,1 mil toneladas de grãos. Também estamos produzindo dentro do Complexo de Aparecida de Goiânia 16 mil refeições por dia: servimos  presos, alguns trabalhadores do regime de plantão, todas as delegacias da grande Goiânia e algumas cadeias públicas do Estado. Parte desta alimentação é produzida dentro do próprio sistema prisional, uma espécie de autogestão e automanutenção.

Há parcerias para estes programas?

Edemundo Dias - Além do Cio, temos a parte da indústria com fabricação de cadeiras de rodas, um convênio com o Ibama para fabricação de móveis usando madeiras apreendidas e convênios com empresas privadas. Nós temos parcerias com várias. Desde confecção e bijuterias, até olaria, com grande produção dentro do sistema. Estamos abertos a novas perspectivas. Temos hoje cerca de 120 convênios.

Esta experiência de Goiás tem chamado a atenção de outros Estados?

Edemundo Dias - Sempre recebemos comitivas de outros Estados aqui e vários estão copiando nossos projetos e trocando experiências com Goiás. Por exemplo, Brasília hoje tem a produção de cadeiras de rodas. A referência é daqui. Recentemente, fui convidado pela Câmara dos Deputados para um debate a respeito do sistema prisional, com a presença de representantes do Ministério da Justiça. Mostramos que há mais de quatro anos não temos nenhum problema grave dentro do Complexo. Isto se deve ao trabalho de ressocialização. 

 

 

 

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